1) Bar 69 – Mulata Cuíca
A última tragada exigia fôlego e respeito – Pensava o velho enquanto eu devia estar analisando o letreiro luminoso nada convincente e convidativo. Pensei que o velho fosse interromper meu pensamento com uma irritante tosse, típica do genuíno suicida, mas fui eu, quem o interrompeu. Na verdade, aquela cena de um velho se acabando com uma ponta de cigarro, me instigava muito mais que o letreiro mal acabado, decente de um puteiro da Boca do Lixo.
_ O que está olhando?
Eu não tinha que responder. Estávamos os dois parados diante da fúnebre entrada do Bar, com certeza ele saindo, talvez se despedindo da herdadeira vez que freqüentava aquilo ali e eu estava entrando… Aliás, pensando em ir embora e não entrar.
_ Engraçado… Eu é que fumo e carrego comigo este cheiro de merda, melhor dizendo para a moça entender, este cheiro podre do vício, mas eu posso sentir transpirando de tu o meu cheiro, quer dizer, o cheiro de merda. Cacete! A moça me compreende, não compreende? Quis dizer, o cheiro de podre. Pois é. A Donzela fede podridão.
Eu quis ignorá-lo, deixá-lo a mercê apenas da bebedeira e do vício que certamente o mataria. Quieta, vi o velho sugar o resto de nicotina da bituca e rezei ironicamente para que morresse ali mesmo. Velho agourento!
A porta do Bar se abriu e uma qualquer saiu, se aproximando do velho lhe dizendo alguma coisa ao pé do ouvido. Não, não. Estava errada, porque depois de ouvir o gemido rouco do velho, entendi que aquela uma estava era lambendo e lavando a orelha do velho com sacanagens… Ele abraçava a bunda da mulata, curtia com as carnes dela, se divertia em palmar a retaguarda sobressalente. A dita cuja pelo jeito era puta e o velho um afortunado com dinheiro no bolso, reservado da infeliz aposentadoria.
Eu, olhava o velho com a mulata e o letreiro Bar 69 e não sabia o que meus olhos podiam ver de pior. Atrás de mim, ainda existia a rua mas eu não voltaria para trás. Se desistisse, a dúvida continuaria a comer meu fígado e se ficasse? O medo me vigiaria como um urubu a espreita. Eu só não queria mais me iludir, fingir de morta para saciar meus inimigos. Decidi virar de costas para o Bar, onde estavam os dois sacanas e vagar com minha boêmia até que ouvi a puta da mulata rir gemendo, ofegando devagarinho que nem cadela. Eu não consegui pensar, só ouvir… Ela parecia estar gostando tanto! Mas também podia estar fingindo e nem seria tão difícil, estando ela com o velho. Se duvidar, ele estava pagando até para ela urrar como uma égua!
Silêncio. De repente um breu de silêncio… Os dois deviam ter dado sumiço, fugido para algum cafofo de meretriz e eu ficado finalmente só, de costas para o Bar 69 com o meu triste dilema. Ao me virar, me deparei com a dantesca cena… “Dantesca” é uma palavra muito artística para o que vi, devo me corrigir: Presenciei uma cena grotesca, cena de quinta categoria. Vi a puta da mulata de cócoras, de altura conveniente ao velho (que era um meio metro de homem) sendo bolinada descaradamente. Ela encaixava a buceta negra no dedo do meio que o velho ritmava dentro dela… A mulata tirava e punha e ainda por cima, gemia toda prosa. A enorme bunda fazia a mão do velho sumir, mas ele não dava o dedo a ela, se ela não sambasse conforme o enredo que ele toscamente balbuciava babando, mas a filha da puta da mulata acompanhava os batuques, balangandãs, qualquer som frenético que ele imitava com a boca. A mulata parecia a rainha da Bateria de escola de Samba, gozando ao próprio som da cuíca (aiui aiuiuiui!…) Vi tudo acontecer e eles gargalhavam de mim.
_Seja bem vinda Donzela… Não se engane com a merda do letreiro. Lá dentro, as coisas são realmente como tinham que ser. Aqui fora é que as coisas e pessoas deixam de existir. A moça tá me entendendo? Estou falando da cruel mas limpa verdade. Tu sabe do que estou dizendo. Sabe que a podridão está mais impregnada em você do que neste lugar… Entre.
O velho além de pervertido era insano. Saiu cada um para teu lado, a mulata entrou novamente para o Bar 69 e ele passava por mim, indo não sei para onde. Foi-se embora dizendo algo em melodia de enredo do samba…
_ Anota aí na tua caçola. Não será o cigarro que me matará! Ei de morrer comendo, fudendo, gozando!
O engraçado era que eu não tive qualquer sensação. Estava relativamente morta e por isso estava ali, na porta de entrada do Bar 69 – Famosa gaiola dos loucos e pervertidos. Assim diziam, mas não li isso em nenhum letreiro luminoso.
O velho não era louco. Era apenas um bêbado, tarado, com grana no bolso para usar uma mulher, puta que seja!
E eu? Eu era um projeto de nada, até decidir entrar no Bar 69 e querer ser uma boêmia sem rumo, ou de rumo certo ao acaso…
Em suma, queria ser uma alma que goza.
_ O que está olhando?
Eu não tinha que responder. Estávamos os dois parados diante da fúnebre entrada do Bar, com certeza ele saindo, talvez se despedindo da herdadeira vez que freqüentava aquilo ali e eu estava entrando… Aliás, pensando em ir embora e não entrar.
_ Engraçado… Eu é que fumo e carrego comigo este cheiro de merda, melhor dizendo para a moça entender, este cheiro podre do vício, mas eu posso sentir transpirando de tu o meu cheiro, quer dizer, o cheiro de merda. Cacete! A moça me compreende, não compreende? Quis dizer, o cheiro de podre. Pois é. A Donzela fede podridão.
Eu quis ignorá-lo, deixá-lo a mercê apenas da bebedeira e do vício que certamente o mataria. Quieta, vi o velho sugar o resto de nicotina da bituca e rezei ironicamente para que morresse ali mesmo. Velho agourento!
A porta do Bar se abriu e uma qualquer saiu, se aproximando do velho lhe dizendo alguma coisa ao pé do ouvido. Não, não. Estava errada, porque depois de ouvir o gemido rouco do velho, entendi que aquela uma estava era lambendo e lavando a orelha do velho com sacanagens… Ele abraçava a bunda da mulata, curtia com as carnes dela, se divertia em palmar a retaguarda sobressalente. A dita cuja pelo jeito era puta e o velho um afortunado com dinheiro no bolso, reservado da infeliz aposentadoria.
Eu, olhava o velho com a mulata e o letreiro Bar 69 e não sabia o que meus olhos podiam ver de pior. Atrás de mim, ainda existia a rua mas eu não voltaria para trás. Se desistisse, a dúvida continuaria a comer meu fígado e se ficasse? O medo me vigiaria como um urubu a espreita. Eu só não queria mais me iludir, fingir de morta para saciar meus inimigos. Decidi virar de costas para o Bar, onde estavam os dois sacanas e vagar com minha boêmia até que ouvi a puta da mulata rir gemendo, ofegando devagarinho que nem cadela. Eu não consegui pensar, só ouvir… Ela parecia estar gostando tanto! Mas também podia estar fingindo e nem seria tão difícil, estando ela com o velho. Se duvidar, ele estava pagando até para ela urrar como uma égua!
Silêncio. De repente um breu de silêncio… Os dois deviam ter dado sumiço, fugido para algum cafofo de meretriz e eu ficado finalmente só, de costas para o Bar 69 com o meu triste dilema. Ao me virar, me deparei com a dantesca cena… “Dantesca” é uma palavra muito artística para o que vi, devo me corrigir: Presenciei uma cena grotesca, cena de quinta categoria. Vi a puta da mulata de cócoras, de altura conveniente ao velho (que era um meio metro de homem) sendo bolinada descaradamente. Ela encaixava a buceta negra no dedo do meio que o velho ritmava dentro dela… A mulata tirava e punha e ainda por cima, gemia toda prosa. A enorme bunda fazia a mão do velho sumir, mas ele não dava o dedo a ela, se ela não sambasse conforme o enredo que ele toscamente balbuciava babando, mas a filha da puta da mulata acompanhava os batuques, balangandãs, qualquer som frenético que ele imitava com a boca. A mulata parecia a rainha da Bateria de escola de Samba, gozando ao próprio som da cuíca (aiui aiuiuiui!…) Vi tudo acontecer e eles gargalhavam de mim.
_Seja bem vinda Donzela… Não se engane com a merda do letreiro. Lá dentro, as coisas são realmente como tinham que ser. Aqui fora é que as coisas e pessoas deixam de existir. A moça tá me entendendo? Estou falando da cruel mas limpa verdade. Tu sabe do que estou dizendo. Sabe que a podridão está mais impregnada em você do que neste lugar… Entre.
O velho além de pervertido era insano. Saiu cada um para teu lado, a mulata entrou novamente para o Bar 69 e ele passava por mim, indo não sei para onde. Foi-se embora dizendo algo em melodia de enredo do samba…
_ Anota aí na tua caçola. Não será o cigarro que me matará! Ei de morrer comendo, fudendo, gozando!
O engraçado era que eu não tive qualquer sensação. Estava relativamente morta e por isso estava ali, na porta de entrada do Bar 69 – Famosa gaiola dos loucos e pervertidos. Assim diziam, mas não li isso em nenhum letreiro luminoso.
O velho não era louco. Era apenas um bêbado, tarado, com grana no bolso para usar uma mulher, puta que seja!
E eu? Eu era um projeto de nada, até decidir entrar no Bar 69 e querer ser uma boêmia sem rumo, ou de rumo certo ao acaso…
Em suma, queria ser uma alma que goza.
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